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Rooibos

Apenas um blog pessoal... mais um...

Bitaites

26.02.18

Quando nos tornamos pais, habituamo-nos a ouvir bitaites. E fazemos um sorriso amarelo, ou fazemos cara séria, ou fingimos que nem ouvimos.

Desculpem, se calhar estou a ser injusto. Se calhar até são apenas conselhos de quem nos quer bem, a nós e aos nossos filhos.

A verdade é que é difícil definir o limite entre um conselho e um bitaite. Quando se tornam insistentes e frequentes, a mim parecem-me bitaites. Quando ouço expressões como "façam" ou "têm de fazer", em vez de um simples "podiam tentar fazer", é um bitaite.

Se vier de alguém de fora, alguém que mal conheço ou de alguém que nem sequer conheço, então isso já ultrapassa qualquer limite.

Conto-vos duas situações.

 

Primeira situação. Fui buscar os miúdos à escola. Estava frio, pelo que levavam os dois o gorro enfiado pela cabeça abaixo. Cruzei-me na rua com uma senhora, também ela com uma filha pequena pela mão. Ela apontou para o meu mais novo e disse-me: "ele leva o gorro a tapar-lhe os olhos". Depois sorriu, meio envergonhada, e acrescentou: "desculpe".

Apercebi-me que o seu pedido de desculpas foi precisamente porque teve noção que se estava a meter onde não devia. Por isso sorri, agradeci e puxei o gorro.

 

Segunda situação. Fomos ao parque, aproveitar o sol que espreitou por entre os dias frios deste inverno. O meu filho mais novo deixou-se dormir, pelo que me sentei num banco, com ele ao meu colo.

Ali perto observei uma mesa com quatro senhoras de idade que jogavam às cartas. Duas delas levantaram-se e dirigiram-se à casa-de-banho. Uma delas desviou ligeiramente o seu caminho e passou junto de mim. Sorriu-me, não me disse nada (pareceu-me ser estrangeira), mas, por gestos, fez-me sinal para levantar a cabeça da criança. Imitando com o seu próprio pescoço, fez-me sinal que a criança estava com a cabeça demasiado pendente.

Apoiei melhor a cabeça do meu filho, acenei que sim e sorri. Ou tentei sorrir, mas desta vez acho que fiquei sério.

 

Se fosse ao contrário, acho que, em qualquer das situações, eu não teria dito nada. Na verdade, acho que só diria algo numa situação demasiado grave.

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